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Rádio Cultural Cerveira

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...ASSIM NASCEU A RÁDIO

NO CONCELHO DE VILA NOVA de CERVEIRA

Gostaria de dar um certo ênfase a este artigo, visto que os nossos prodigiosos, mereciam este historial envolto ern melopeia, mas, como eles são gente cuja humildade é um facto, inicia‑se por dizer que em 18.07,1953 e 21,06,1961, nascem na freguesia de Campos, respectivamente, JOÃO BATISTA BERNARDES VALENTE e LUÍS ALBERTO RODRIGUES FERNANDES, os quais, para fugir a vida rude do campo, o João Valente, aos 14 anos, vai trabalhar como operário numa fabrica de serração e, passados quatro anos, sai da fabrica e envereda, como aprendiz, pela profissão de electricista; o Luís Alberto, aos 15 anos, vai também trabalhar em igual categoria profissional. Dai, passados alguns tempos, ambos são electricistas profissionais, tirando em simultâneo a paralelamente ao seu trabalho, cursos de electr6nica a telecomunicações, começando a sentir motivação para o "bichinho" das emissões de rádio, o que no concelho, ainda a ninguém passava pela cabeça as rádios locais.

Assim, por volta de 1984, o Luís Alberto vai trabalhar como técnico da discoteca "Chaplin", sita no lugar do Alto das Cerejas, em Campos, passando seguidamente para "disco-jockey". Passado cerca de um ano, este, em conversa com João Preto, também "disco-jockey", deste, surge a pergunta de como fazer uma rádio, o que Luís Alberto explicou e, a partir desse momento começam a trabalhar       nesse sentido, adquirindo material, para o que contribuiu financeiramente Jorge M. Menezes Veiga, que era um dos proprietários da referida discoteca. Depois dos três chegarem á conclusão de que seria possível fazer uma rádio local, emitindo das próprias instalações da discoteca, Jorge Veiga adquire material electrónico em "kit" e o Luís Alberto, auto‑constrói um pequeno emissor de 1 W e respectiva antena. Então, a partir desta feita, começam as emissões experimentais, embora as experiências ligadas a electrónica, entre João Valente e Luís Alberto já tivessem "barbas", pois era o seu melhor "hobb! Inclusivamente, e ate antes de tudo isto, chegou o João Valente a fazer experiências com microfones "analambricos", que depois de algumas adaptações adequadas ao efeito, começou a fazer comunicações, embora em curtas distancias.

Após todas essas emissões experimentais, o Luís Alberto, não vê futuro nem incentivo para que as suas ideias possam ir mais longe, a daí, resolve falar com o João Valente, para que em conjunto a com a força de vontade de ambos, se pudesse efectivamente fazer uma rádio melhor. É aqui que nasce o papel preponderante do João Valente, que lança mãos á obra, e assim, com o5 seus conhecimentos, consegue material em "kit", com o qual constroem um novo emissor de 7 W, a daí, é posta a emissão no "ar". Segue‑se a montagem de uma antena de "polarização" vertical, que mais alcance iria dar as suas continuas emissões de ensaio.

Em ambos começa a sua inequívoca satisfação, quando chegam telefonemas do nosso concelho e do vizinho concelho de Valença, dando‑lhes parabéns pela ousadia a talento, daqueles (autodidactas) que foram os pioneiros na emissão de rádio no concelho de Vila Nova de Cerveira!

Por curiosidade se salienta a frase de um popular ao dizer "isto são coisas do .João Gaio ". Não errou, embora deveria ter acrescentado “& Compª " !

Com instalações na oficina de João Valente, começam as emissões em varias frequências de FM, dando origem  à RÁDIO CLUBE DE CERVEIRA!

No Jornal "Cerveira Nova" n° 346, de 20,03.1986, sai a 1ª noticia sobre esta rádio, cujo conteúdo nos diz o seguinte: "CAMP0S ‑ EMISSOR PARTICULAR ‑ Em regime experimental esta a funcionar, nesta freguesia um emissor particular, cuja futura denominação deverá ser a de «Rádio Clube de Cerveira». 0 emissor poderá ser captado em FM 95 M.H.Z, num raio de 5 quilómetros. é pensamento dos seus criadores poderem vir a aumentar a potencia para um raio de acção de 30 a 40 quilómetros ".

Então, a partir daqui, começam a ir para o "ar" algumas emissões, com o estúdio na oficina de trabalho de João Valente,      durante a período de cerca de um ano, emitindo em fracas condições devido aos parcos recursos de material e instalações utilizadas, embora que, nunca é demais afirmar e colocar João Valente sempre em lugar cimeiro em relação ao apoio técnico, para alem de avolumadas despesas com todos as materiais necessários para que o projecto "Rádio" chegasse a bom termo!

E é então, nestas improvisadas instalações que se começa a ouvir o programa "Discos pedidos", com apresentação de Luís Alberto Fernandes, colaboração de Tony Fonseca, o atendimento telefónico de Victor Vieira e a na técnica João Valente.

Por volta do ano de 1985, surgem novas instalações, gentilmente cedidas por Arlindo Silva Lamas, no rês‑do‑chão de sua casa, sita no lunar de Cortinhal, actual Travessa do Rau, onde são criadas melhores condições na emissão de rádio, para alem de uma salas de estúdio, recepção e sala de entrevistas. Tudo, graças a João Valente, o qual mais uma vez, não estando na disposição de ficar de "braços cruzados ", adquire novos componentes de um emissor, cuja potencia é de 10 / 12 W e, com a sua montagem e de uma melhor antena, põe a "Rádio Clube de Cerveira" a ter uma maior cobertura auditiva, dando inicio a emissões regulares, chegando a algumas freguesias do nosso concelho e do de Valença. Nestas instalações é atingido o ponto sublime desta "Rádio", bem como aqui surge o aparecimento de Rui Vaz Carpinteira que muito contribuiu para esse ponto alto, com os seus programas devidamente estudados, planeados e elaborados com pensar de mestre!

Recorda‑se a 1ª e histórica transmissão do relato de um desafio de futebol, do Parque de Jogos "1° de Janeiro", utilizando‑se, para alem de outro material, o emissor de 1 W, antes referido, tendo como relator o Prof. Mário Luís Afonso; na técnica das transmissões, no exterior, Luís Alberto Fernandes; e a técnica, no estúdio, a cargo de João Valente, com a colaboração de Jorge Veiga. Seguiram‑se transmissões de missas dominicais da Igreja Paroquial de Campos.

A partir daqui, começaram  a ser difundidos programas de âmbito cultural, dos quais se recorda: "Gentes da nossa terra", tendo como entrevistadores Prof. Mário Luís Afonso e Eng° Jaime Areal; "Retalho ", com Adelaide Graça, “Moutorros ", com Rui Vaz Carpinteira; "Chutos, pontapés e caneladas", com Diamantino da Graça Fernandes; “Insonias loucas”, com o Eng° José Manuel Carpinteira e o Eng° Carlos Manuel Marinho; "Vira o disco" e "Domingo de manhã", com Carlos Amoroso; "Ponto de Encontro ", com João Fernandes; “Temas e problemas”, com José Senra a Raquel Sousa, entre outros de grande valor e com bastante audiência, para alem de emissões regulares com variada programação, tendo na técnica João Valente e Luís Alberto Fernandes.

Em meados de 1986, iniciaram‑se com um veiculo móvel minimamente equipado, a fazer reportagens do exterior, de índole cultural, tendo em estúdio Luís Alberto Fernandes, na assistência técnica João Valente a na locução Diamantino da Graça Fernandes.

O Jornal "Cerveira Nova" n° 352, de 05.07.198, em 1° página, apresenta-nos o seguinte titulo, cuja noticia engloba esta "Rádio": ‑"Febre" da Rádio atinge o Distrito. Varias “Estações” em FM

Em 20.09.1986, o Jornal "Cerveira Nova" n° 355, da a seguinte noticia: "CAMPOS - RÁDIO LOCAL ‑ O posta de rádio, instalado nesta freguesia, passou para a potencia de 6O W, prevendo-se para breve o aumento para 150 W, e mudança para novas instalações. As emissões são diárias, das 20.30h as 24.00 horas, em FM 105.7 ".

Salienta‑se o nome de José Senra, como recepcionista das instalações da "Rádio" durante algum tempo! Também sobre ele, o jornal "Cerveira Nova" n° 368, de 05.04.1987, nos concedeu a noticia intitulada: "Temas poucos. Problemas muitos (Relativo á Rádio de Campos).”

Recorda‑se também, no Natal de 1986, integrado no programa "Moutorros", a transmissão de um concurso de poesia popular alusiva ao: “Programa Moutorros, Natal e Rádio", tendo sido atribuídos prémios, patrocinados por diversas empresas comerciais do concelho. Foram intervenientes Lídia Afonso (Becas), extra concurso, Cristina Freire (7ª), Juvelina Lara (6ª), Berta Pontedeira (5ª), Joaquim Afonso Pereira a Cláudia Sofia (4°s), Mário João Almeida (3°), Tony Fonseca (2°) a José Carlos Fernandes, sendo este ultimo o detentor da "poesia" classificada em 1° lugar.

Em princípios de 1987, tendo a Associação Desportiva de Campos a sua Direcção presidida por Edgar Afonso Novo Guerreiro, este, e seu elenco directivo, prontificam‑se a ceder no Recinto do Parque desportivo, instalações para funcionamento da "Rádio Clube de Cerveira", para onde, é transferido todo o equipamento. Este trabalho deveu‑se a boa colaboração a compreensão de muita gente, tendo a instalação e montagem de todo o equipamento a cargo do sempre "vitima" ‑ João Valente.

Passados a1guns meses, é resolvido dar uma maior a melhor expansão radiofónica, que da origem a formação de uma "Comissao de angariação de fundos ", composta por: Adelaide Graça, Prof. Joaquim Graça, José Carlos Fernandes, entre outros, que perdoem mas não se conseguem recordar. O valor angariado foi destinado a aquisição de material radiofónico.

Aqui começa nova vida para a "Rádio Clube de Cerveira", com maior cobertura devido as melhores condições tecnicas e geográficas, onde foi dada continuidade a alguns dos programas anteriores e respectivos colaboradores, para alem de novos programas e seus intervenientes, dos quais se salienta: José Carlos Rodrigues, Nelson Pires a José Manuel Ferreira, não olvidando o programa: "Sábado à Noite ", com Rui Vaz Carpinteira, em estúdio; e com João Valente e Diamantino Graça Fernandes, no exterio.

Assim, fez‑se ouvir a "Rádio Clube de Cerveira" ate ao ano 1988 nas referidas instalações da Associação Desportiva de Campos, e um dia, numa tarde de Domingo, e por motivos adversos, a sua Direcção, presidida por José Salvador Novais Viana, resolvem pôr termo a emissão de rádio nas instalações pertenças àquela Associação, que então dirigiam!

Surge, como é obvio, nova mudança de instalações da "Rádio" e, desta vez para a "casa mãe ", ou seja, para a ofioina de João Valente, durante aproximadamente três meses, onde, com a regularidade quase habitual, são postas no “ar" varias emissões.

João Valente, vendo‑se nesta angustiante situação, vai a presença do sempre amigo Calisto Cândido Roleira da Cunha, o qual, de imediato, pôs a sua disponibilidade ao serviço dos Cerveirenses, arranjando as tão necessitadas instalações, so que, desta vez, iriam mudar da freguesia que a viu nascer para a de Reboreda, junto a Residencial " Calisto", ao que o povo de Campos se manifestou bastante negativamente.

Mais uma vez, isto ainda no referido ano de 1988, mãos a obra, efectuando‑se as necessárias obras de acabamentos adequadas ao cabal funcionamento da "Rádio Clube de Cerveira" e, equipamento para dentro, em breve, tudo é posto de novo a funcionar, o que, sobre esta mudança, o Jornal "Cerveira Nova", n° 392, de 05.45.1988, da‑nos a seguinte noticia: "REBOREDA ‑ MUDANÇA DA R.C.C. ‑ O posto da R.C C. foi mudado, recentemente, para urna residencial desta freguesia. Antes a R.C.C. estava instalada na freguesia de Campos". Aqui funcionou a "Rádio" durante alguns anos, mas, como a praga das mudanças ainda não tinha acabado, voltou a andar com a trouxa as costas, e no ano de 1997, mais uma vez, e mudando também de freguesia, vai poisar nas instalações da Casa do Povo desta vila, onde ainda vive nos dias de hoje!

Para que algumas datas relacionadas com a vida desta "Rádio" fiquem registadas no seu historial, e que delas nos deu a lume o Jornal “Cerveira Nova”, se passam a transcrever parte dos seus relatos: No Jornal n° 404, de 20.12.1988 _ "RÁDIO ENCERRA ‑ Obedecendo ao que foi estabelecido por Lei a R.C.C. encerra no dia 24 de Dezembro, alias como todas as rádios, em igual situação no país. Agora, só depois de devidamente legalizada, é que a R.C.C., poderá voltar a funcionar”; No Jornal n° 405, de (05.01.1989: "Novo Ano. Rádios "Novas"? ‑ As chamadas rádios livres ou rádios “piratas” encerraram no dia 24 e voltarão a estar no “ar” (as eleitas), ja depois de devidamente regularizadas, em Março do corrente ano, se as provisões não falharem... " ; No Jornal n° 411, de 05.04.1989; "Rádio Clube de Cerveira atribuída frequência ‑ Segundo um despacho ministerial... foi atribuída uma frequência à R.C.C. para emitir em 93,6 megahertz e 27 KW...”; No jornal n° 413, de 05.05.1989: "Rádio Cultural de Cerveira ‑R.C.C. ‑. Cooperativa de Radiodifusão C.R.L. (segue‑se a publicação da respectiva escritura notarial)”; e no Jornal n° 414, de 05.06.1989; "Rádio Cerveivense. Emissões Experimentais ate 10 de Junho"

Sendo este o ultimo paragrafo desta narrativa sabre a Rádio em Cerveira, aproveito, para deixar uma mensagem impulsiva a todos quantos nela trabalham ou venham a trabalhar: "Que sempre o façam, o mais possível, com isenção, brio e por amor ao bom nome do seu concelho, pela sua cultura, pela sua beleza e pelo seu engrandecimento! Deixando para trás “politiquices" e tudo quanto é nefasto para a vida de uma "RÁDIO", que por vezes só destroem e em nada dignificam o seu rincão!”.

                                                                                                                                    MAGALHÃES COSTA/2000

                                                                                                                        “In Arquivos da Rádio Cultural de Cerveira”

 

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